Acaso ouvi repudiar pedaços meus?

Foi aparcela da vida que eunão vivi.

Ah! Direi que choro às flores que eu não vi

e, em descrença vaga o risoque perdeu,

Sabe-se lá qual a cicatriz que mais doeu?

Consolar-se com um amanhã dourado,

esquecer todo o ontem amordaçado

na desilusão, quando o hoje amanheceu.

(Grades nas janelas, opressão insana,

e ela nada sabia que lá fora o mundo

lhe fora roubado. Abismo profundo,

lacrimejam os anos nessa trama.)

Psique! Valei-me essa síndrome que em mim

exuma e destroça meu corpo doente.

Solidão e agonia, sem sol e sem poente

e uma irônica luz nas noites em fim.

Se lembrou de uma criança e um toque de mão

sorrindo ao acaso e às flores em vida

e chorando a fuga ou a infância perdida,

o olhar retratou a desumana prisão...

Sandra Ravanini